terça-feira, 1 de dezembro de 2009

"Do Começo ao Fim"

Oi oi oi,


Cinema lotado e cheio de expectativa. Sexta (27.11), fui assistir “Do Começo ao Fim”, filme abriu a última edição do Festival Mix Brasil (de 12 a 27 de novembro) e estreou ontem em circuito comercial envolto em muita polêmica bem antes de ser lançado. Depois de tantas críticas desfavoráveis, não esperava muito, mas continuava ansioso pra ver. Mesmo preparado, não saí satisfeito.

Pra quem não sabe, o diretor é Aluizio Abranches, o mesmo de “Três Irmãs” e “Um Copo de Cólera” (não vi nenhum... Shame on me!). O filme trata da relação incestuosa e homossexual entre os dois meio-irmãos (filhos da mesma mãe) Francisco e Thomás.

Pesado? Sim. Ou, pelo menos, é o que todo mundo (inclusive eu) esperava e, por isso (e tb pelo vídeo que “vazou” no Youtube), tamanha polêmica em volta da produção. Não há qualquer tipo de conflito no filme. Pena. Todos aceitam a relação homossexual e incestuosa como se fosse a coisa mais normal do mundo. Tipo, “o amor vence tudo”, sabe? Os irmãos aceitam o sentimento que nutrem um pelo outro com total naturalidade, sem qualquer problema. Assim tb o fazem seus pais e todos os outros. E é aí que está o grande pecado do filme. Sem os conflitos, a história se torna boba, sem graça e batida. É só mais uma. O pior, é que existem várias "deixas"! Vc pensa: "agora vai!". E nada!

O diretor disse que “a sociedade não consegue aceitar um casal homossexual com final feliz, alguém tem que morrer no fim”.

Desculpe, mas uma coisa não tem NADA a ver com a outra. Existem zilhões de filmes com temática homossexual com finais felizes (na sua maioria, independentes). Se vc quer apenas fazer uma história de amor entre dois homens com final feliz, faça-o. Não tem problema. Agora, se o mote da história é tabu, o mínimo que se faz é desenvolvê-lo. Se vc vai enfiar o dedo na ferida, enfia direito!

E o problema não para por aí. O roteiro é vazio, ruim, com diálogos desnecessários, bobos. Às vezes, dá vergonha alheia. Não vou nem discutir o talento dos novatos, intérpretes dos protagonistas (nas fases criança e adulta), ninguém faz milagre. Se o texto e a história não são bons, a performance fica a desejar. E, aqui, ficou.

Prova disso é que nem atores do calibre de Julia Lemmertz (a mãe), Fábio Assunção (o pai) e Louise Cardoso (ajuda na criação das crianças) – adoro todos! – conseguem salvar o roteiro. No entento, há uma cena quem Julia Lemmertz, sem abrir, só com expressões, entrega uma atuação flawless. SENSA!

Elogio tb à maravilhosa trilha sonora de André Abujamra, cheia de sentimento, emoção e qualquer outra coisa positiva que se possa pensar. Não esperaria menos dele. Ah, e parabéns tb para diretor de fotografia (Ueli Steiger, de “Con Air”, “O Patriota” e “O dia depois de amanhã”) que faz um belíssimo trabalho. E um ponto para o diretor: o filme é extremamente delicado, sem qualquer vulgariadade.

Em resumo, adoraria parabenizar pela coragem de toda a equipe de contar essa história. Infelizmente não posso, já que optaram pelo caminho, digamos, mais seguro. O trailer no YouTube é muito melhor, lindo, mas o filme é uma grande decepção e fiquei triste por perderem a oportunidade de fazerem algo realmente bom. Não gostei.

Trailer (ou tb conhecido por "vídeo 'vazado' no YouTube")

Um comentário:

Unknown disse...

Enfiar o dedo me pareceu polemico e forte.